Ao passar pela estação da luz um homem se aproxima e pergunta:
“Oi, Maria Angélica?”
A mulher parece não gostar de ouvir e sai
O homem a pega pelo braço e diz:
“Você não lembra?..”
A mulher não da ouvidos e vai embora
“Eu guardei uma chave para mim”
Escutamos o Voice Over da personagem
Ela chega num beco de uma pequena vilela , abre o portão discretamente olhando para os lados
Abre a porta com enorme cuidado
“Que cheiro tem? Talvez seja as loções baratas que você sempre passou.
Eu tirei um cochilo hoje a tarde, sonhei que vocês me chegavam, e nós jantávamos os três juntos como se estivéssemos bem novamente.
Eu reguei as plantas, mas elas estão mortas, não há como voltar atrás. Morreram. Não tem jeito. Eu bebi do leite na geladeira.
Vocês estão bonitos no porta-retrato, que lugar bonito, vejo que minha irmã criou rugas ao redor dos lábios.
Serâ que você ainda lembra que eu existo? Eu tô bem. Não choro mais.
Eu gosto do seu cheiro de loção barata.
Dobrei suas camisas.”
Enquanto escutamos o Voice Over
A personagem toma atitudes diferentes do que fala na carta. Ela tem um olhar melancólico ao ver o porta-retrato, ela chora ao ver o vestido de noiva da irmã, o veste
E então vê um teste de gravidez positivo guardado dentro de uma caixa de madeira pequena. Deitada no chão a vemos por cima, ela acaricia sua barriga.
Ela começa a chorar ainda mais. Se levanta
Ela sai de casa ainda vestida de noiva, ela se senta na calçada chorando
Um homem se aproxima, ela levanta a cabeça e o encara
“Eu não sou Maria Angélica, já disse”
ele se senta ao lado dela
ele diz algo que não escutamos por conta do voice over, em cortes vemos que ele a beija com força e ela se deixa levar, algo fora do comum acontece na calçada dois corpos fora de sintonia, ela parece entrar em transe
Em Voice Over dela
“Eu não sou. Não sou nada para você, sou apenas uma formiga que come seu açúcar enquanto você sai de casa, e você pergunta se pode pisar em mim.
-Eu aceito diz a mulher vestida de noiva para o homem que sorri e vai embora, ela fica no portão olhando para o infinito
Debaixo do chuveiro e vestida de noiva, ela deixa a agua escorrer nos seus cabelos e molhar seu corpo de noiva. Câmera lenta , o vestido molhando cada vez mais
Ela sai e se senta na mesa encharcada e continua a escrever a carta
“Me sinto cada vez mais invisível meu amor, estou morrendo, adeus”
Ela então num impulso quase rasga a carta, mas olha as plantas que parecem reviver no jardim e resolve deixar a carta em cima da mesa dessa vez. A chave voa pelos ares por debaixo das nuvens.
A noiva vai embora já no fim de tarde alaranjado. Deixa o portão antigo aberto.
(Autor: Osmar)
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