terça-feira, 31 de maio de 2011

CENA 1 
INT/Noite - Quarto/Aparamento da Jojo 
O vento batia de forma violenta na janela do apartamento escuro e empoeirado da Jojo. Os lençóis espalhavam- se pelo seu quarto, também escuro.  
Já dormia mal à algumas horas, remexia-se inquieta na cama, suspirava ofegante, transpirava como nunca antes. Parecia pressentir  algo ou alguém que estava pra acontecer/chegar.  
Acordara, então, num susto súbito de uma campainha que soava desesperadamente ao longe.  
Jojo salta, desnorteada, sem entender bem o porque daquele barulho que a importunava insistentemente no meio da madrugada. Levanta confusa, leva a mão na boca e vê que ela está seca, precisa de uma tragada de um cigarro. Procura pela cama, pelos lençóis jogados ao chão, vasculha suas gavetas entupidas de coisas inúteis, mas decepciona-se ao encontrar somente um maço vazio por ali.  
Jojo amassa e joga furiosamente o maço para longe, enquanto se levanta e caminha em direção do som inoportuno e desesperado da campainha. 
Resmunga quase em silencio: “Que sem noção!...”, mas logo mudou de ideia, na esperança de ser alguma visita para ela. 
Fala baixinho pra si : “Já não estava dormindo bem mesmo…” 
A medida que se aproximava da porta, Jojo podia ouvir o barulho dos passos do lado de fora irem se afastando. A essa altura a campainha já havia cessado. 
Jojo olha através do olho-magico, mas não vê ninguém. Pergunta ofegante “Quem é?”, mas ninguém responde. Sua mão encaminha-se a maçaneta, pensa em abrir a porta, hesita porém. 
Após alguns segundos de medo, intensas e fortes palpitações, suores frios correndo sua nuca, Jojo cai em si e resmunga pra si mesma: “Como seria alguém se a ninguém conheço?”.   
Retorna para seu quarto, onde num canto empoeirado encontra-se o seu computador. Senta em frente a ele e mexe compulsivamente no mouse,  a procura de algo que ainda não sabe o que é.  Lembra-se então de um site que visitara a alguns dias e, num impulso desesperado, pega o celular que estava ali ao lado.  

CENA 2 
INT/Crepúsculo - Quarto Igor 
Em uma cabeceira suja, com um cinzeiro lotado e um abajur antiquado, um celular toca incessantemente. Ao lado, na cama, dorme seminua uma morena de cabelos curtos e maquiagem borrada.  Surge uma mão masculina que agarra o telefone . 
"Alô?". Igor atende o telefone, anota o endereço num papel que estava jogado pela mesa. Desliga. Olha para Emanuela deitada, dorme um sono delicado, parece serena. Igor deixa o apartamento sem falar nada. A porta bate, Emanuela acorda. 

CENA 3 
EXT/Dia - Rua/calçada 
Jojo marcara com um cara desconhecido uma visita íntima. Não sabia por que havia feito aquilo, mas sentia que precisava fazer.  
Jojo lembra que não tem cigarros. Pega o seu casaco, o veste, sai do apartamento e desce as escadas de incêndio do seu prédio.  
Caminha apressadamente pela calçada. A cidade e seu ar cinza são como aquela calçada. Jojo esbarra desajeitadamente em uma ruiva que aparentava ter tomado umas a mais. Remunga um "desculpa", mas não se contentando com estas simples desculpas, a ruiva vira e começa a ditar-lhe um sermão: 
"Andas como já não mais houvesse alguém em teu caminho, será que isso é um reflexo desse dia vazio, cinza e sozinho? Ou seria um grito sufocado em tua alma que anseia a ajuda de um vizinho?" 
Jojo ignora e continua a andar desajeitada e apressadamente. Só conseguia pensar em seu trago. Resmunga : "velha idiota!". 

CENA 4 
INT/Dia - Hall do apartamento da Jojo 
Jojo sai do elavador de cabeça baixa e com o maço de cigarros na mão. Ao levantar a cabeça nota um jovem estranho a sua porta: Igor chegara antes do previsto. 
Jojo comprimenta Igor desajeitamente. Ela o convida pra entrar. 

CENA 5 
INT/Dia - Apartamento da Jojo 
Jojo está de costas para Igor. Enquanto tranca a porta, Igor passa sua mão entre os fio de cabelo da Jojo. Desce a mão pela nuca e começa a tirar o seu casaco. Jojo estremece, arrepia-se. Igor então começa a beijar as suas costas, enquanto acaricia lentamente a barriga de Jojo. Ela vira e começa a tirar as roupas daquele homem desconhecido quando a mesma campainha desesperada da madrugada anterior volta a tocar. Jojo e Igor se assustam, entreolham-se sem entender nada. Vestem-se apressadamente. 
Jojo olha através do olho-mágico e vê uma linda morena com o rosto borrado de maquiagem. Emanuela havia seguido Igor até o apartamento da Jojo. 
"Eu não sei quem é... talvez seja pra você" Jojo fala

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Grande parte do que escrevi (Lucas)


Cenas Lucas catalogadas:

-       Jojo tomando café. Jovem desconhecido senta-se com ela. Ela adoça o açúcar dele e vai embora.

-       Jojo e Emanuella estão no parque. Jojo fala sobre a menininha ser órfã.

-       Emanuella e Igor estão conversando sobre crianças.

-       1) Igor e Homem no cemitério.

-       2) Igor se lembra de cenas com Emanuella de forma diferente. E quebra o coração de chocolate que ganhou de presente.

-       3) Emanuella ataca Igor com beijos. Definição de “Vicio” rola em voice over.

-       4) Beatriz cria guerra de extintores de incêndio no Ibirapuera.

-       5) Jojo assiste à Beatriz sob o vão do MASP escutando “Eu não sei na verdade quem eu sou” d’Ó Teatro Mágico

-       6) Cena em backward do tiro de Emanuella.

-       Cena antiga 1 – Emanuella e Igor se amassam enquanto rola uma oração em voice over

-   Cena antiga 2 – Cecília e o professor de flauta

-       Cena antiga 3 – A “morte” de Cecília.

- Cenas episódio Laura

 
Cenas Lucas:


INT/DIA – Café

Jojo está sentada curvada para frente e vestida com uma blusa volumosa.
A garçonete se aproxima para recolher o pedido. Jojo simplesmente aponta no menu com o dedo.
Vemos um rapaz jovem entrar no café. Ele olha ao redor e não encontra mesa vazia. Olha para o local vago à frente de Jojo e dirige-se a ele.
O rapaz se senta e com um sorriso tenta ser simpático. Jojo continua cabisbaixa chupando seu café pelas beiradas como se nada tivesse acontecido. Ela não levanta o olhar, escondido sob seus cabelos. O rapaz pede um café para a garçonete e tenta puxar assunto:

                  Rapaz
         Tá fria essa manhã, né? Será que é por causa da chuva?

Jojo dá mais um gole no seu café, fazendo um barulhinho.

                  Rapaz
         Sabe que eu adoro manhã frias? Mas prefiro os dias bem ensolarados são mais alegres.

Jojo continua iganorando-o e dá um gole ainda mais barulhento.

                  Rapaz
         O Sol é bom para aproveitar o dia com a família e com os amig...

Jojo interrompe-o com uma sorvida bem barulhenta.

                  Rapaz (perdendo a simpatia)
         Que isso menina!? Deixa de ser amarga. Ninguém gosta de gente assim.

Jojo ergue os olhos e a cabeça, assumindo outra postura. Joga os cabelos atrás da orelha, dá um largo sorriso, e ainda sorrindo pergunta.

                  Jojo
         Então você gosta de meninas doces?

Close no rapaz, agora sem jeito diante de um olhar tão penetrante um sorriso inesperado.
Corte para sua xícara de café, onde Jojo despeja quatro pacotinhos de açúcar de uma só vez.
O rapaz olha para seu café, agora extra adocicado, e quando levanta os olhos para reclamar, Jojo já está saindo pela porta.



EXT/DIA – Parque

Jojo e  Emanuella estão encostadas num banco de parque. As duas observam uma garotinha que brinca sozinha no gramado.

Emanuella
As vezes eu fico pensando qual a história por trás das pessoas.

         Jojo (curiosa)
(...)

         Emanuella
Essa menininha, por exemplo. Qual a história dela, o que ela está fazendo aqui, o que ela vai ser quando crescer.

         Jojo (interrompendo)
         Ela é órfã.

                  Emanuella (surpresa)
         Você conhece?

                  Jojo
         Ela é órfã. Os pais morreram num acidente. Como ninguém veio buscá-la, ela não parou de brincar. E vai continuar brincando até eles voltarem pra levá-la para a cama e colocá-la para dormir. Até lá ela vai continuar correndo, rindo e rolando no chão, e o mundo inteiro vai ser um playground.
Emanuella olha atônita para Jojo, sem saber o que dizer e nem o que ela quis dizer.
Nesse meio tempo um casal grita pelo nome da menininha e ela vai correndo até eles.

                  Emanuella
         Ei! Você mentiu pra mim?

                  Jojo
         Não, eu não menti.

Jojo coloca as mãos no bolso do casaco e sai caminhando pelo parque olhando as árvores.

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         INT/DIA – Quarto

Igor e Emanuella estão sentados na cama. Ele encostado na cabeceira e ela encostada nele. Estão em silêncio.
Emanuella olha para Igor, serena, e diz com uma voz doce.

         Emanuella
         Hoje eu vi uma menininha brincando no parque.

                  Igor
         Toda mulher adora esse tipo de coisa. Aposto que você ficou imaginando como seria ter uma criança sua.

                  Emanuella
         HAHAHA, até parece. Eu não acho uma boa ideia ter filhos. (dá um trago no cigarro) Tráfico de crianças no Brasil não dá tanto dinheiro.

Corta.
        

















1) Um encontro essencial entre dois personagens
2) Personagem num momento de ruptura com alguma coisa (interna ou externa)
3) Uma narração off (poética ou simplesmente narrativa)
4) Uma locação
5) Uma música
6) Uma estética (vale as que vcs levaram ou outras que vcs também gostem. Claro, quanto mais experimental, melhor).



1) Um encontro essencial entre dois personagens

         EXT/DIA – Cemitério.

Igor vestido de preto está parado, pensativo, diante de um túmulo. Sobre este túmulo há uma flor de origami.
Um homem de 50 anos terno e óculos escuros se aproxima em silêncio, Igor permanece imóvel.  Os dois estão lado a lado, ambos cabisbaixos sem olhar um para o outro.


                  Homem
         Sinto falta de nós três juntos.

                  Igor (de forma seca)
         Não se esqueça que a culpa foi sua.

Silêncio constrangedor entre os dois.
O homem põe a mão no bolso do paletó, tira uma flor de origami e coloca ao lado da outra que está sobre o túmulo.

                  Igor
         Eu também sinto falta dela.

O homem esboça um sorriso discreto.

                  Homem
         Acho que você deveria vir tomar um café comigo agora.


Antes que Igor respondesse, o celular dele apita. Igor olha a mensagem, e sem levantar o olhar diz:

                  Igor
         Tenho que ir.

                  Homem
         Você e seus segredos.

                  Igor (indo embora)
         Minha vida é um livro aberto... Só é uma pena que só ela sabia ler.


2) Um personagem num momento de ruptura

         INT/DIA – Cozinha do apartamento

Close no rosto de Igor que está sentado sozinho numa cadeira à beira da mesa. Seu rosto está perturbado e seu olhar está fixo em algo que está nas suas mãos.
O áudio de outra cena (vamos chamar de cena X) começa a invadir esta.
Corte para a cena X.

A cena X é um cena já mostrada anteriormente na série. Com ele e Emanuella. Mas a cena X está levemente diferente da original. Nela Emanuella fala ou faz algo de forma diferente que a torna profundamente irritante. (Referência do café de Pulp Fiction).

Corte para Igor na cozinha, agora com o plano mais aberto podemos ver seus ombros. O áudio da cena Y invade esta. É uma risada de Emanuella.

Corte para a cena Y. Com Emanuella dando um coração de chocolate para Igor.

Corte para a cozinha. Com plano novamente mais aberto, podemos ver as mãos de Igor sobre a mesa. Suas mãos seguram o coração de chocolate.

Corte para a cena Z. A cena Z é uma cena também mostrada anteriormente na série (é a próxima cena desta lista:  “3) narração off” ). Mas ao invés de Igor perguntar “Isso tudo é saudade?” ele pergunta “Seu beijo é sincero?”. E ela ainda responde “não”.

Corte para Igor na cozinha. Num ímpeto ele pega um rolo de macarrão e dá uma marretada no coração de chocolate.
Agora, com os pedaços quebrados, ele pode comê-los.


3) Uma narração off   

         INT/DIA - Apartamento

Emanuella espera do lado de fora do apartamento. Toca a campainha, espera. Toca de novo, espera. Bate na porta, espera. Bate de novo, dessa vez mais forte, espera. Para ela essa espera toda parece uma eternidade, apesar de, no relógio, não se passar nem um minuto. Ela está aflita, mexe nos cabelos, se coça, aparenta tem dificuldade para respirar.

A porta se abre, Igor está com cara de sono. Muito sono. Emanuella não espera. Ataca-o. Precisa da pele dele, do cheiro dele, do calor dele. Não é uma questão de empatia, sintonia sentimental ou afeto mútuo, é mais uma necessidade, como fome ou sede.

Ela cheira, lambe e morde-o como se cada pedaço do corpo dele fosse acabar em breve. Ela não escuta o que ele diz, ou o que ele tenta dizer. Está surda. Está cega. Ela somente quer mais, quer ir mais fundo, mais longe, mais forte e mais loucamente do que jamais foi.

Não tem tempo para julgar se aquilo é bom ou ruim. Ela só quer aproveitar. Naquele momento, ela não sabe fazer mais nada.

Durante toda a cena escuta-se a seguinte locução em tom formal.

                  Locução (V.O.)
         Vício. Substantivo masculino.
         Do latim, vitium.
         Dependência do consumo de uma substância.
         Defeito Ou imperfeição.
Prática frequente de ato considerado pecaminoso.
         Hábito inverterado. Mania.
         Erro de ofício.
         Erro habitual no uso da língua.
Tendência para contrariar a moral estabelecida.
Depravação. Libertinagem.
         Mau hábito que as bestas adquirem.   

Igor a interrompe de seu transe

                  Igor
         Calma, calma. Nossa. Isso tudo é saudade?

Close no rosto de Emanuella.

                  Emanuella (arfando).
         Não.




4) Uma locação

EXT/DIA – Pátio do parque do Ibirapuera.

Close no rosto de Beatriz. Ela está com o queixo erguido e proclama na voz de um general.

                  Beatriz
         Atenção! Sentido! Os senhores estão prontos para a batalha?! Estão prontos para morrer por seus ideais idealistas? Ou preferem viver como humanos desumanos? Este sonho tive a noite. Sonhei que um sonho tive. Pois sonho que se sonha só tem recheio de doce de leite. Mas sonho que se sonha junto prefere viver na irrealidade.
         Preparar. Apontar. ÁGUA!

Zoom out. Vemos Beatriz e mais 10 pessoas começarem uma guerra com jatos de extintores de incêndio. A nuvem branca de vapor vai se expandindo até que toda a imagem fique esbranquiçada.

Fade do branco para a próxima cena.


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5) Uma música

Eu não sei na verdade quem eu sou – O Teatro Mágico
http://www.youtube.com/watch?v=nMa-LoJnd90

         EXT/DIA – Vão do MASP

Jojo aperta o play no seu iPod. E a trilha começa a rolar em seu fone de ouvido.
Ela está andando pelo vão do MASP e, ao longe, observa Beatriz correndo atrás das pessoas segurando um balão vermelho. Os passos, rodopios e saltos dela parecem sincronizar com a música, como se Beatriz pudesse dançá-la.
Jojo começa a entrar em transe na música.

Close na mão de Jojo fazendo uma leve coreografia acompanhando a canção.
Corte para um plano aberto. Em primeiro plano vemos Jojo de costas e ao fundo Beatriz conversando com JP.
No meio do transe de Jojo com a música, algum pedestre esbarra nela e seus fones de ouvido caem, deixando entrar toda a poluição sonora da cidade.
Plano aberto. Jojo se vê sozinha na “selva de pedra”.

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6) Uma estética

- Depoimento da série Skins.
- The cientist – Coldplay http://www.youtube.com/watch?v=EqWLpTKBFcU&feature=related

INT&EXT/NOITE

A seguinte cena é editada de trás para frente.

Emanuella está encolhida embaixo do seu cobertor de olhos fechados. Ela abre os olhos, sua maquiagem está bem borrada. Ela se levanta e cambaleia (em backward) em direção à porta. Vemos Emanuella andando (em backward) pelas ruas escuras da noite. Seu andar é incerto. Um revólver vem voando de um terreno abandona até suas mãos e ela esconde-o em seus braços. Emanuella corre desesperada (em backward). Ela aponta o revólver em direção à câmera, ela está ofegante.
Close no rosto dela, sua maquiagem está impecável.
A tela escurece e ouvimos o som de um disparo em backward.


                                         
Ideia 1: Oração:


Situação: É noite. Uma senhora de idade acende um fósforo e com ele uma vela. Ajoelha-se diante da vela, une as mãos e começa sua oração. A imagem é desfocada e bruxulenta como as chamas da vela.

--- Meu bom senhor, meu pai, meu criador. Abençoa-me por mais uma noite.

Temos a chama da vela em primeiro plano. Transição para a chama da vela no quarto de Emanoela e Igor. O  casal troca carícias e sussurros . A imagem continua turva e bruxulenta.

--- Afasta-me de todo o pecado, de toda tentação e de todo o desejo mundano.

Igor beija o ombro de Emanoela, que inclina o pescoço para o lado.

--- Dá-me sua graça, seu gozo e seu amor infinito.

O casal vai ficando mais ofegante.

--- Pois sou sua filha, sua seguidora e sua serva.

As carícias se tornam mais agressivas. (Cenas em plano fechado)

--- Ao senhor, lhe suplico: não pare de me amar e nunca me abandone.

As mãos do casal se entrelaçam.

--- Ao senhor, lhe suplico...

Temos a chama da vela em primeiro plano, o casal desfocado ao fundo entrando em êxtase.

--- Proteja esta pecadora por mais uma noite

Um sopro apaga a vela ( que está em primeiro plano) e a imagem se torna escura.

Voz de Emanoela:
---Amém








Ideia 2: Cecília arranja um amigo para lhe ensinar flauta.

Situação central: Os pais de Cecília começam a se incomodar com o hábito dela de gravar vídeos, e a pressionam para que consiga outro hobby, como música.
Cecília então chama um amigo para lhe ensinar a tocar flauta. Esse amigo vai até a casa dela para lhe ensinar e desde o começo já sentimos um clima sugestivo no ar (muito embora nada seja dito). O pai de Cecília suspeita dos dois jovens trancados no quarto, e vai frequentemente inspecioná-los, mas enquanto a flauta estiver sendo tocada ele fica tranquilo.
Em um dia de aula, os olhares entre os dois se tornam mais fortes e o diálogo mais sugestivo e com mais indiretas, até que fica um clima constrangedor no ar. Para quebrar esse clima, o amigo resolve tocar uma melodia, para assim voltar com a aula.
Enquanto o amigo toca, Cecília se posiciona à frente dele e desabotoa sua calça.
Plano muda para a sala, onde o pai de Cecília lê jornal. Escuta-se a melodia ao fundo, até que ele desafina.












Ideia 2: A morte” de Cecília.

Situação central: No capítulo seguinte ao das cerejeiras, Cecília está atravessando uma ponte/viaduto à noite (sugestão, ponte da Galvão bueno) quando percebe uma tentativa de assalto ao longe. Discretamente ela tira sua câmera da bolsa e tenta registrar o assalto para depois poder fazer a denúncia.  (a partir daqui a cena é toda subjetiva da câmera).
O assaltante percebe Cecília , corre até ela e tenta pegar a câmera. Cecília Laura reage, tentando proteger a filmadora. O assaltante acaba empurrando-a da ponte.
Zoom-out da telinha da câmera, vemos Cecília caída na avenida, abraçada com a câmera, protegendo-a.

No início do outro capítulo:
(Cena sem imagens, totalmente escura, só ouvimos as vozes do diálogo)
-       P1 : Caramba, que vídeo é esse?
-       P2 : É  daquela ascensorista da minha faculdade que morreu.
-       P3 : Aquela que filmou a própria morte?
-       P2 : Ahn... Seria mais certo dizer que ela morreu enquanto filmava.
-       P1 : Isso chega até a ser poético. Que forma bonita de morrer.
-       P3 : Nossa, como você é escrota. Nenhuma morte é bonita. E quem mandou ela dar uma de jornalista e se meter com esse tipo de gente?
-       P2 : O que você quer dizer com isso? Que ela fez de propósito? Bem feito pra ela?
-       P3 : ...
-       P1 : Haha, quem é a escrota agora? Mas, afinal, quem foi que postou esse vídeo?
-       P2 : A mãe dela.
-       P1 e P3 : ...
-       P2 : Aqui na descrição ela tá dizendo que considera o vídeo como uma homenagem à filha,  já que faz parte do pouco que restou dela.
-       P3 : E pra que postar na internet? Pra meio mundo ver ela morrendo?
-       P2 : Porque é exatamente o que ela faria se estivesse viva.


ARRITMIA
PROTÓTIPO EXPERIMENTAL PARA EPISÓDIO 1

Lucas Muraguchi
19/04/2011

*Nota: são três cenas não sequenciais que escrevi para a Laura. Elas seriam entrecortadas por outras cenas dela e de outros personagens. Estas cenas não precisam necessariamente vir no primeiro episódio.



INT/DIA – ELEVADOR

De dentro de um elevador comercial vemos a porta e somente a porta. A porta se abre, o corredor está vazio. A porta se fecha. A porta se abre, outro andar novamente vazio. A porta se fecha. A porta abre novamente em outro andar e uma menininha de 7 anos de idade com um vestido retrô aparece de costas para a porta.

Pai de Laura (V.O.)
*apito de secretária eletrônica,
*voz chiada característica de secretária eletrônica
*Claramente irritado

Ô filha, eu quero saber o porquê de você não ter ido atrás daquele emprego que eu te indiquei.
O seu Roberto é meu amigo de longa data e ficou te esperando por horas. HORAS.
Você não vai chegar a lugar nenhum enquanto ficar se dividindo entre cantarolar e um trabalho que qualquer macaco faz melhor!
(mudando o tom) Bom, me liga. Papai te ama.













INT/DIA – Elevador

Laura (ascensorista) está sozinha no elevador cantando uma melodia própria.

Bom dia. Desce. Primeiro andar.
Nono, quinto, sexto.
Cobertura, abrir, fechar.

Boa tarde. Sobe. De nada. É pra já.
Bom descanço. Obrigada.
Mezanino, quarto and...

A porta se abre, e Laura pausa seu canto. Dois estudantes da faculdade entram no elevador conversando. Laura tenta, disfarçadamente, ouvir a conversa deles.

                                    Estudante 1
Desde que ela brigou com os pais e saiu de casa, ela tá morando comigo agora.

                                    Estudante 2
Faz quanto tempo isso?

                 Estudante 1
Ah, umas duas semanas.

                 Estudante 2
E o que aconteceu pra sua namorada brigar feio assim com os pais dela.

                 Estudante 1
É uma longa história. Pra começar ela não é minha namorada, é só uma fachada. É tudo um plano dela pra...

A porta do elevador se abre e os dois estudantes saem prosseguindo a conversa.
A porta se fecha e ouvimos.

Bom dia. Desce. Primeiro andar.
Nono, quinto, sexto.
Cobertura, abrir, fechar.
...






EXT/DIA – Rua da Vila Mariana

Laura está caminhando pela rua e avista de longe uma mulher ruiva (Beatriz/performer) em pé sobre a mureta de uma casa. Esta mulher está fazendo movimentos de Tai-Chi-Chuan de forma lenta.
Beatriz, ao avistar Laura, passa a gritar.

                                    Beatriz
                   Garotinha! Ei! Garotinha!

Laura pensa não ser com ela, mas percebe que não tem outra pessoa por ali, muito menos uma menina. Continua andando pela calçada até passar ao lado de Beatriz e não poder ignorá-la.

                                    Beatriz
                   Oi garotinha, tudo bom? Qual o seu nome?
Laura olha confusa para Beatriz (ou seja, para cima), titubeia por um instante e responde.

                                    Laura
                   É Laura.

                                    Beatriz
                   Que gracinha, adorei o seu vestido.

Plano mais aberto mostra que Laura está com roupas de trabalho, não um vestido.
Beatriz, ainda sobre a mureta, se agacha e pousa a mão direita sobre a cabeça de Laura.

                                    Beatriz
                   Então Laurinha, me diz. O que você quer ser quando crescer?

Close no rosto de olhar profundo de Beatriz.

                                    Beatriz
                   Porque eu quero ser que nem você.

Close no rosto de Laura, quase em transe.
Toca a campainha do elevador.
Vemos Laura sentada ao lado do painel do elevador ainda em certo transe. Ela deixa escapar um sorrisinho de lado e ergue o pescoço. Aperta todos os botões do elevador e sai de lá cantando e rindo como uma criança.